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Seguro de carro elétrico no Brasil: você está fazendo a pergunta certa?

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Quando alguém começa a pesquisar um carro elétrico no Brasil, uma das primeiras perguntas que aparece é: “mas o seguro não é muito caro?”

É uma pergunta legítima. Mas pode ser a pergunta errada.

Durante muito tempo, o mercado ainda tinha pouca previsibilidade sobre peças, manutenção e valor de revenda dos elétricos. As seguradoras embutiam margem de segurança nas apólices por falta de dados reais. O resultado era previsível: seguros mais caros e percepção negativa consolidada.

Esse histórico ficou na memória do consumidor. O problema é que o mercado seguiu em frente.

Um levantamento da Allianz, divulgado pelo Estadão, mostra que apólices de veículos elétricos já podem custar até 20% menos do que as de modelos equivalentes a combustão. Entre janeiro e outubro de 2025, o volume de elétricos segurados cresceu 72% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com mais dados reais de uso, as seguradoras passaram a precificar com mais precisão e menos margem de segurança embutida.

Mas mesmo que o seguro custasse exatamente o mesmo que o de um carro a combustão, a análise ainda estaria incompleta.

O custo do seguro é uma linha do orçamento. O custo do carro é outra conversa.

O proprietário de um elétrico costuma gastar significativamente menos com combustível, revisões periódicas, troca de óleo, desgaste de freios e manutenção preventiva em geral. Quando esses valores entram na conta, a equação muda. O seguro, que parecia o vilão, passa a ser apenas uma parcela dentro de um custo mensal total frequentemente mais baixo do que o de um equivalente a combustão.

Modelos elétricos populares já apresentam seguros entre 2,4% e 3,5% da tabela Fipe, dentro da média do mercado. E o valor da apólice varia muito mais pelo perfil do condutor, pela cidade e pelo histórico de sinistros do que pelo fato de o carro ser elétrico.

As seguradoras também identificaram algo relevante: os motoristas de elétricos registram menor índice de roubos, menos acidentes e comportamento mais cauteloso ao volante. Esses fatores reduzem o risco real e impactam diretamente o preço da apólice.

Ainda existem desafios concretos. Algumas peças custam mais do que o equivalente em carros a combustão, componentes eletrônicos ainda são majoritariamente importados e a rede especializada segue em expansão. Modelos premium continuam com seguros mais altos. Esses pontos são reais e precisam entrar na análise.

Mas a questão central permanece: avaliar um carro elétrico apenas pelo preço do seguro é como avaliar uma mudança de apartamento apenas pelo custo do condomínio. O número importa, mas não conta a história completa.

A pergunta mais útil não é “o seguro é caro?”. É: quanto esse carro vai custar por mês, de verdade, considerando tudo que envolve tê-lo?

Quando essa conta é feita com honestidade, o elétrico costuma surpreender.

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