Destaques

GEELY, GAC E LEAPMOTOR: O AVANÇO DAS NOVAS MONTADORAS

Publicado

on

As novas montadoras não estão apenas vendendo carros. Estão mudando a lógica de escolha do consumidor.


Até poucos anos atrás, a disputa do mercado brasileiro acontecia entre marcas tradicionais. Hoje, consumidores começam a considerar fabricantes que sequer conheciam há três anos. Geely. GAC. Leapmotor.

O fenômeno vai além da entrada de novas empresas. Ele revela uma mudança profunda no comportamento de compra. O consumidor passou a avaliar tecnologia, conectividade e custo operacional com o mesmo peso que antes dava à tradição da marca. E isso pode redesenhar o mercado automotivo da próxima década.

Geely: da fábrica global à garagem brasileira

Em 17 de julho de 2025, a Geely iniciou a pré-venda do EX5 no Brasil, seu primeiro modelo no país, distribuído pela rede Renault. O SUV elétrico chegou em duas versões, com multimídia de 15,4 polegadas e 13 sistemas de assistência ao condutor.

A estrutura por trás dessa operação tem peso estratégico. Em novembro de 2025, a Geely formalizou a aquisição de 26,4% da Renault do Brasil, tornando-se sócia minoritária e garantindo acesso à fábrica do Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná. Os dois grupos anunciaram R$ 3,8 bilhões em investimentos para produção de modelos eletrificados Geely e Renault a partir do segundo semestre de 2026. 

O EX5 EM-i, versão híbrida plug-in apresentada no Salão do Automóvel de São Paulo em novembro de 2025, teve seu primeiro lote desembarcado no porto de Paranaguá em março de 2026 e será o primeiro modelo Geely fabricado no Brasil.

GAC: estratégia de longo prazo, não de oportunismo

Em 23 de maio de 2025, a GAC apresentou seu “Plano de Ação Brasil” no Distrito Anhembi, em São Paulo, lançando cinco modelos simultaneamente: AION V, AION Y, HYPTEC HT, GS4 HEV e AION ES.

O plano tem lastro industrial. Em março de 2026, a GAC formalizou parceria com a HPE Automotores para produzir veículos na fábrica de Catalão, em Goiás, a partir de 2027, com capacidade de até 50 mil unidades por ano. 

O investimento total previsto chega a US$ 1,3 bilhão até 2030, com meta de 100 mil veículos vendidos no Brasil nesse período. Para distribuidores, frotas corporativas e gestores de mobilidade, isso significa portfólio diversificado e uma montadora disposta a construir presença industrial no país.

Leapmotor: a nova lógica do produto acessível e conectado

A Leapmotor chegou ao Brasil em 2025 por meio de uma aliança com a Stellantis, com os SUVs B10 e C10 importados como veículos 100% elétricos. Em abril de 2026, a Stellantis confirmou a produção de ambos no Polo Automotivo de Goiana, em Pernambuco, a partir de 2027.

O diferencial está no que virá com essa produção nacional: a tecnologia REEV Flex, em desenvolvimento pela engenharia da Stellantis no Brasil. No sistema REEV, um motor a combustão não move as rodas, atua apenas como gerador para recarregar a bateria enquanto a tração é feita exclusivamente pelo motor elétrico. 

A versão Flex, capaz de operar com etanol ou gasolina, é descrita pela Stellantis como inédita no mundo. Para empresas que planejam a transição para frotas eletrificadas, a equação futura combina tração elétrica, infraestrutura Stellantis e combustível nacional.

O que está por trás dessa mudança

Essas marcas chegam com arquiteturas elétricas proprietárias, experiências digitais nativas e estratégias de preço que comprimem as margens das montadoras tradicionais.

O consumidor brasileiro, cada vez mais informado, percebeu que tradição não é sinônimo de melhor custo-benefício. A decisão de compra passou a envolver autonomia, tempo de carregamento, assistência ao condutor e conectividade, critérios em que as novas marcas competem com desenvoltura.

Para quem está do lado do negócio, seja distribuidor, gestor de frota, consultor ou investidor do setor, ignorar esse movimento é um risco real. As marcas que estão chegando não estão testando o mercado. Estão construindo presença de longo prazo.

O mercado que vem por aí

Geely, GAC e Leapmotor são a vanguarda de uma transformação que está apenas começando. Cada uma com estratégia distinta: a Geely pela parceria industrial com a Renault, a GAC pela fábrica própria em Catalão, a Leapmotor pela escala da Stellantis e pela aposta no REEV Flex com etanol.

A pergunta relevante para quem opera no setor não é se essas marcas vão crescer. É como se posicionar antes que o volume chegue.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Em Alta

Sair da versão mobile